Escutar sem “desligar”

Por o 24 Maio 2016

Considera-se um bom ouvinte? E como escutar ativamente? Deixamos-lhe algumas pistas neste artigo.


Escutar sem “desligar”

O que fala semeia; o que escuta recolhe.

Pitágoras

 

O livro O Monge e o Executivo[1] aborda a importância da escuta num diálogo entre estes personagens, com feedback sobre a “dificuldade em ouvir”. O excerto a que me refiro é o seguinte:

(O Monge) – Tenho notado que tem algumas dificuldades em ouvir.monge-executivo

(O Executivo) – O que quer dizer com isso? Sempre me considerei um bom ouvinte.

(O Monge) – Ontem de manhã, quando nos conhecemos, no seu quarto, interrompeu-me três vezes a meio de uma frase. Isto sinceramente não me afeta, John, mas tenho receio daquilo que este tipo de mensagem possa transmitir às pessoas que lidera, quando as interrompe dessa maneira. (…) Quando as interrompe a meio de uma frase, envia algumas mensagens negativas. Número um: se me interrompeu, é porque não estava a prestar muita atenção ao que eu dizia, já que a sua cabeça estava ocupada com a resposta que iria dar. Número dois: se se recusa a ouvir-me não está a valorizar a minha opinião. Por último, significa que acha que o que tem para dizer é muito mais importante do que aquilo que eu tenho. John, este tipo de mensagens são desrespeitosas e, como líder, não se pode dar ao luxo de as enviar”.

 

Como escutar ativamente?

 

 

Para escutar ativamente o seu interlocutor é necessário estar atento à linguagem verbal e não-verbal do outro – as suas palavras, gestos, postura, expressões faciais, forma de olhar e características da voz.

Algumas pessoas referem que aprendem mais sobre si próprias quando as deixam falar e são escutadas com atenção, sem interrupções.

Centrar-se sobre quem fala, ouvir em silêncio utilizando de vez em quando, expressões como “estou a ver”… “compreendo”… ou “não estou a acompanhar”, “não estou a compreender”, mostra ao outro o interesse e o respeito que temos pelo seu ponto de vista; é um comportamento diferente de muitas conversas e discussões, em que as pessoas se interrompem mutuamente, procuram falar de si próprias e não se escutam.

Escutar e querer efetivamente compreender a(s) outra(s) pessoa(s), sem críticas, juízos de valor apriorísticos ou discussões vãs, facilita um clima de abertura e aprofundamento do(s) assunto(s), aproximando as pessoas na construção de soluções mutuamente interessantes.

 

[1] “O monge e o executivo: Uma história sobre a essência da liderança”, de James C. Hunter, Ed. Sextante, 2010.

 

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Nuno Afonso Santos Desde 2 anos

De facto, mesmo quando cremos que somos bons ouvintes, uma análise tão simples deita por terra as nossas crenças e coloca em causa o nosso auto-conhecimento. “Se na escuta afinal sou assim, como serei na verdade no restante…?”
Obrigado Alina

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