O que nos leva a fazer uma escolha?

Por o 12 Março 2020

O trabalho de Will Schutz, um dos mais importantes psicólogos norte-americanos durante a segunda metade do século XX e autor do livro “O Elemento Humano”, mostrou a importância do princípio da “escolha”. Em outras palavras: ajudou-nos a explorar o conceito de “responsabilidade pessoal” no âmbito do exercício da liderança. Ao mesmo tempo, este importante princípio pode ser igualmente aplicado na construção da confiança.

 

 

Para compreender o alcance deste princípio, vejamo-lo a partir da perspetiva de quatro conceções:

 

1 – Não há escolha, é inevitável

O oposto da noção de escolha seria considerar que o fruto da nossa existência seria o resultado da fatalidade. Uma espécie de doutrina segundo a qual os acontecimentos, o mundo como um todo, e com ele a existência humana, seguiriam um curso inevitável onde os acontecimentos escapariam à vontade humana. O destino seria fixado antecipadamente por uma força externa, a fatalidade impediria a liberdade de escolha, relegando a conduta humana a uma reação automática: “as coisas acontecem, eu reajo”. Como se o comportamento fosse apenas uma reação simples e básica em resposta a um estímulo.

 

2 – A escolha é predeterminada

Com alguns filósofos surgiu a noção de determinismo. A sequência de eventos seria determinada pelo princípio da causalidade, do passado e das leis da física. Assim aplicado ao comportamento humano, este último não seria o resultado do acaso, mas de causas predeterminadas. Em primeiro lugar, aqui a herança da genética é decisiva. Por exemplo, a aparência física resultante, como todo um conjunto de habilidades, aptidões e qualidades como tamanho, força ou ouvido musical.

A esta herança genética, temos também de acrescentar a influência da educação no comportamento e nas escolhas individuais. A educação dos pais, da escola e da aprendizagem em todas as suas formas determina mais ou menos as escolhas que os indivíduos fazem ao longo das suas vidas. Assim, a resposta comportamental dependeria da genética, da educação e do ambiente do ser vivo. Diante de um estímulo, a resposta estaria longe de ser simples e automática, mas antes elaborada e adaptada.

 

3 – Sou pró-ativo

Há também outros fatores que permitem que os seres humanos se emancipem e se afirmem de forma proativa. Assim, segundo Descartes, o sujeito pensa e é consciente de si mesmo e consciente de que pensa, cogito ergo sum. Dotado de consciência, o sujeito pode aceder à sua verdade e autoconhecimento. Por outro lado, como afirma Stephen R. Covey, autor do bestseller “Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes”, o livre arbítrio é outro fator determinante. Ele tem o poder de modificar as nossas representações mentais, de nos ajudar a rever as nossas crenças e a agir de acordo com princípios bem compreendidos.

Assim, graças à minha consciência e ao meu livre arbítrio, sou diferente do meu irmão gémeo monozigótico, embora tenhamos a mesma herança genética e tenhamos recebido a mesma educação. Da mesma forma, como pessoa, “eu” também posso escolher os meus valores e a minha ética, independentemente daqueles que me foram transmitidos durante a minha educação. Além disso, também possuo imaginação que me pode ajudar a fazer escolhas de acordo com a minha vontade.

Consciência, livre arbítrio, valores, ética e imaginação são, segundo Covey, os fundamentos da capacidade de nos comportarmos livre e responsavelmente como pessoas. Diante de um estímulo, as escolhas de respostas da pessoa não são limitadas, são antes múltiplas, tanto quantas soluções possamos imaginar.

 

4 – Eu escolho tudo!

Segundo Will Schutz, a noção de escolha integra uma dimensão adicional que vai além da pessoa e recorre à noção de inconsciente. Segundo o psicólogo americano, é um princípio que afirma que “consciente ou não, eu escolho”. Posso até escolher não escolher, conscientemente ou não, é uma escolha. A escolha não é considerada como um verdadeiro princípio no absoluto, mas como uma hipótese. Da mesma forma, o inconsciente é uma hipótese. Assim, essa hipótese de escolha sugere que “eu escolho os meus comportamentos, pensamentos, emoções, sentimentos, corpo, doenças, reações e espontaneidade”.

De acordo com essa hipótese, o objetivo de cada escolha é obter um tipo de benefício. É uma consequência que é desejada a um certo nível de consciência e inconsciência. Isto aplica-se tanto às escolhas “positivas” como às “negativas”.

Ao assumir que escolhemos tudo na nossa vida, não escolhemos apenas as nossas reações, também filtramos os estímulos. Escolhemos ver o que queremos ver, ouvir o que queremos ouvir e sentir o que queremos sentir. Por exemplo, um leitor lê e entende esse artigo de forma diferente de outro, mesmo que seja o mesmo texto.

Por isso, em jeito de conclusão: o que escolhe reter deste artigo?

 

Autor: Alain Duluc

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